A NOVA GUERRA FRIA

por

Dan Rocha

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É possível que você não tenha percebido, mas também é pouco provável (sim… está nos canais de notícias. Sai do Tik Tok), uma nova guerra fria já começou. E não, não espere explosões ou tanques cruzando fronteiras. Essa guerra não é feita de pólvora, mas de dados. Ela não está sendo travada nas trincheiras, mas em super servidores. E, o mais doido de tudo, é que você já está participando dela, com um clique aqui ou ali e, principalmente, com um “aceito os termos” (duvido você ter lido algum deles).

Diferente da versão clássica desse modelo de, que colocou Estados Unidos e União Soviética frente a frente com ameaças, corrida espacial, corrida armamentista nuclear, apoio a guerras em outros países, espionagem, e muita propaganda ideológica… a nova Guerra Fria coloca Estados Unidos e China em um embate tão silencioso quanto ambicioso: a corrida pela supremacia da inteligência artificial. Não se trata mais de ideologia (ou sim). É sobre controle da sociedade, da previsibilidade de comportamento humano e, claro, da nova economia que nasce dos dados.

A movimentação chinesa tem sido cirúrgica. O governo lançou o Project Spare Tire, uma tentativa de atingir 70% de independência na produção de chips até 2028. O nome, que soa como um meme pronto (“pneu reserva”, é sério isso?), carrega uma ironia involuntária: depois de anos sendo criticada por depender de tecnologia estrangeira, a China agora corre para tomar o volante e construir a estrada. Do outro lado, os Estados Unidos fazem seu movimento com o Projeto ATOM (American Truly Open Models), uma iniciativa que promete manter o modelo open source vivo e acessível. Acessível, claro, dentro dos limites definidos por quem detém as chaves da nuvem.

Mas nem só de bastidores vive a tensão. Nas últimas semanas, o mundo assistiu à OpenAI lançar o GPT-5 com a pompa de uma superestreia de Hollywood. Mais rápido, mais preciso, mais… geopolítico. O modelo foi apresentado não só como avanço tecnológico, mas como uma espécie de declaração de superioridade sutil, porém clara. Como quem diz: “Ainda somos nós que ditamos o ritmo dessa dança”. Quase no mesmo fôlego, veio o anúncio mais inesperado, e mais estratégico: a liberação do modelo da OpenAI para rodar localmente em servidores próprios. Ou seja, agora você pode “baixar a inteligência” do GPT como quem instala um plugin (será? Aberto, mas monitorado… eu quero ver é o fogo no parquinho).

Nos bastidores, a disputa assume tons de filme de espionagem (dignos dos clássicos onde atuam a CIA e a KGB). Recentemente, dois cidadãos chineses foram presos nos Estados Unidos tentando contrabandear GPUs da Nvidia. Pois é… isso mesmo! Placas de vídeo. O novo ouro da tecnologia. Antes se contrabandeava armas, diamantes ou tecnologia militar. Agora, o que se transporta ilegalmente são componentes para treinar algoritmos. Bem-vindo à era da “narcotecnologia”.

E se os americanos ainda treinam os cérebros, a China já começou a montar os corpos. Literalmente. Com o avanço no desenvolvimento de robôs humanoides, patentes protocoladas e testes em andamento, o país asiático acelera a fusão entre IA e hardware. O Ocidente segue encantado com o que os bots dizem (“excelente ideia [SEU NOME], vamos construir um produto feito com restos de Iogurte e tampa de Nutela”). O Oriente parece mais preocupado com o que os bots fazem. (Mas os robôs do tio Musk dançam no meio do expediente de trabalho… não viu?!?! Procure o meme).

Essa nova guerra fria tem outra particularidade: ela não precisa do seu medo. Precisa da sua atenção. Ela não precisa que você fuja para um bunker (ainda), basta que você permaneça online. Os algoritmos já fazem o trabalho de prever suas reações, recomendar conteúdos, precificar seus desejos. E pode ser ainda mais preocupante… fazem isso com o seu consentimento, mesmo quando você acha que está no controle.

Ao contrário da ameaça nuclear, essa guerra não te destrói. Ela te convence. Ela transforma a sua opinião em métrica, sua rotina em dado e suas escolhas em funil de vendas. No fundo, o que está em jogo não é a IA. É o ser humano (Buuuuummmm!!! Pense nisso). Quem controla a inteligência artificial, controla o comportamento coletivo. Quem antecipa o desejo, vende o presente com mais precisão. É matemática algorítmica básica.

Talvez o maior risco da nova guerra fria não seja a dominação autoritária por uma superpotência. Talvez o risco real seja uma dominação sedutora, imperceptível e plenamente justificada em nome da conveniência.

Não haverá tiros. Haverá linhas de código. E talvez, no fim, ninguém precise vencer. Porque quem controlar os algoritmos, já venceu você.

Inspirado no Programa Na Linha de Frente gravado ontem com Beatriz Duarte (Tistto) e no episódio sobre IA do Podcast Neural da Folha de São Paulo

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