Ambientes de negócios só prosperam quando conectam ideias, pessoas e execução.
Era fim de tarde no estúdio do Na Linha de Frente. Filipe Pataro e Dan Rocha recebiam Dudu Ludgero, referência em construção de ambientes de inovação, para discutir o que realmente faz um ecossistema prosperar. Com postura serena e discurso direto, ele começou desmontando a ilusão de que basta ter um espaço moderno e um nome chamativo para criar impacto real.
Segundo ele, ecossistema inovador é um organismo vivo, formado por conexões estratégicas entre empreendedores, investidores, universidades e governo. Filipe observou que, sem sustentabilidade financeira e objetivos claros, a inovação não passa de vitrine. Dan reforçou que o verdadeiro valor está em criar oportunidades concretas para todos os envolvidos, muito além de eventos e postagens bonitas.
Os dados reforçam o ponto. O Global Innovation Index posiciona o Brasil na 49ª colocação entre 132 países, mas destaca hubs como São Pedro Valley (Belo Horizonte) e Porto Digital (Recife) como exemplos de ecossistemas sólidos, que transformaram vocações locais em negócios globais. Esses casos nasceram de planejamento, políticas públicas consistentes e confiança mútua entre os atores.
O entrevistado destacou que um erro comum é confundir ecossistema com coworking. Sem programas de mentoria, acesso a capital, conexões internacionais e apoio para escalar negócios, qualquer espaço corre o risco de ser apenas um endereço bonito. A integração de empresas tradicionais também foi tema: muitos setores ainda veem a inovação como algo distante, restrito a startups de tecnologia, ignorando oportunidades em áreas como saúde, indústria e agronegócio.
O recado final foi direto: inovação não é um endereço, é uma cultura. E ecossistemas só florescem quando cada conexão ali feita tem potencial de gerar negócios, transformar setores e impactar comunidades inteiras.