Histórias de bastidores, erros fatais e as verdades que ninguém conta sobre investir em franquias — por que muitos fecham as portas antes de completar um ano e o que fazer para não entrar nessa estatística.
O empresário Antônio Augusto “Guto” Araújo é um veterano do empreendedorismo. Com mais de 30 anos de experiência, ele já navegou por setores tão diversos quanto óticas, franquias de acessórios, alimentação e até exportação de pão de queijo para a Austrália. Hoje, seu discurso é direto: “Franquia não é sinônimo de sucesso. Pode ser o caminho mais rápido para o fracasso se você entrar sem saber onde está pisando”.
Guto explica que muitos investidores chegam ao setor sem preparo, movidos pelo mito de que “franquia é dinheiro certo”. Essa ilusão é alimentada pelo marketing das próprias franqueadoras, mas a realidade é outra: localização errada, custos mal calculados e contratos engessados podem transformar o investimento de uma vida em dívidas impagáveis. “Às vezes, é o dinheiro que a pessoa guardou a vida inteira. Se errar, não volta mais”, alerta.
Segundo dados da ABF (Associação Brasileira de Franchising), embora o setor movimente mais de R$ 200 bilhões por ano, cerca de 8% das unidades franqueadas fecham antes de completarem dois anos. O principal motivo? Falta de preparo do franqueado para lidar com as demandas reais do negócio — do fluxo de caixa ao atendimento ao cliente.
Além da questão estrutural, Guto ressalta outro desafio crescente: a gestão de pessoas. “Gente boa está cada vez mais rara. O excesso de informação faz muita gente achar que sabe tudo, mas na prática falta experiência. E sem equipe engajada, nenhum negócio se sustenta”.
Sua trajetória mostra a importância da adaptação. Do comércio informal em São Paulo à abertura de lojas no interior, passando por negociações com grandes marcas e ideias pioneiras — algumas copiadas por gigantes do varejo —, Guto aprendeu que o sucesso depende menos do formato do negócio e mais da capacidade de execução. “Não interessa se é franquia ou marca própria: estude, negocie, conheça o mercado e tenha a humildade de aprender todo dia”.
Ele também destaca um ponto pouco falado: a sorte de estar no lugar certo, na hora certa. “Às vezes, a oportunidade existe, mas não é o momento. Saber esperar e agir na hora certa faz toda a diferença”.
A lição final de Guto ecoa para qualquer aspirante a empreendedor: “Acredite em você, mas prepare-se para matar um leão por dia. Negócio não tem glamour — tem suor, coragem e resiliência. E muito mais lágrimas do que brindes”.