Modelos que ignoram o protagonismo estudantil correm o risco de formar diplomas, mas não formar pessoas.
Era uma manhã de gravação no estúdio do Na Linha de Frente. Filipe Pataro e Dan Rocha, acostumados a provocar reflexões afiadas, recebiam Rafael Lopes, reitor do CEUB, para falar sobre um tema que parece estar em todos os discursos institucionais, mas em poucas práticas concretas: a educação transformadora. O clima era de expectativa, e não demorou para que a conversa saísse do lugar comum.
Rafael não perdeu tempo com formalidades. Falou diretamente sobre a necessidade de o aluno deixar de ser um consumidor passivo de conteúdo para assumir o protagonismo do próprio aprendizado. Filipe reagiu com aquele olhar que denuncia “aqui tem mais coisa”, enquanto Dan contextualizou que metodologias ativas não podem ser apenas marketing de vestibular, mas parte do DNA de sobrevivência de qualquer instituição de ensino.
Os números confirmam a urgência. Segundo o Censo da Educação Superior, 62% dos cursos presenciais no Brasil ainda funcionam no modelo conteudista, centrado na aula expositiva e na prova final. A evasão anual, segundo o Inep, beira os 27%. Já estudos da CAPES mostram que faculdades que adotam metodologias ativas, como aprendizagem baseada em projetos ou sala de aula invertida, conseguem reduzir a evasão em até 20% e aumentar o engajamento dos alunos em 30%.
Rafael destacou que transformar a sala de aula exige mexer em algo mais profundo do que o layout ou a tecnologia: a cultura acadêmica. Muitos professores ainda resistem em abrir mão do controle total, e essa barreira, na visão dele, é tão ou mais difícil de derrubar do que limitações orçamentárias.
Entre exemplos de universidades que evoluíram e casos em que a inovação ficou só no discurso, a lição é clara. Educação transformadora não é evento para foto nas redes sociais; é prática diária que exige consistência. Sem isso, a universidade pode continuar emitindo diplomas, mas dificilmente estará formando pessoas preparadas para a vida e para um mercado em constante mudança.